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WWE no Brasil em 2012: a noite de São Paulo e o que veio depois

· 3 min de leitura

O evento da WWE em São Paulo em 2012, o cancelamento no Rio de Janeiro e o incidente com Chris Jericho na luta contra CM Punk.

Chris Jericho e CM Punk no ringue da WrestleMania XXVIII em abril de 2012
Chris Jericho e CM Punk na WrestleMania XXVIII, em abril de 2012. Fotografia de arquivo, não do evento de São Paulo. Foto: Ed Webster, CC BY 2.0, via Wikimedia Commons.
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O anúncio e os dois ginásios

A WWE anunciou em 2011, em comunicado, que faria dois espetáculos no Brasil como parte da digressão Raw World Tour. As datas marcadas eram 23 de maio de 2012 no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, e 24 de maio de 2012 no Ginásio do Maracanãzinho, no Rio de Janeiro, ambos organizados pela produtora Time For Fun.

Em abril de 2012 a Time For Fun anunciou que o espetáculo do Rio de Janeiro, no Maracanãzinho, estava cancelado e não se realizaria, apesar das tentativas de reprogramação. O Brasil ficou com uma única noite.

Para promover a digressão, a WWE enviou The Miz ao país, onde o lutador apareceu no programa de late night Agora É Tarde.

O voo que atrasou e a noite que mudou tudo

Os planos originais previam que a comitiva partisse da Virgínia, onde a WWE tinha gravado o Raw na noite de 21 de maio. A aeronave exigiu manutenção e o voo atrasou para o dia seguinte. Perante isso, a WWE reagendou o evento, e o espetáculo acabou por acontecer a 24 de maio, a data que era do Rio de Janeiro.

Na luta principal, Chris Jericho defrontou CM Punk. Durante o combate, Jericho chutou uma bandeira brasileira. A polícia local interveio e ameaçou detê-lo. Jericho pediu desculpa ao público, o que permitiu retomar o espetáculo.

No dia seguinte, a WWE suspendeu Jericho por 30 dias, com um pedido de desculpas dirigido ao povo e ao governo do Brasil. Até outubro de 2026 a empresa não voltou ao Brasil desde esse episódio.

Vale sublinhar o que estes dados não dizem, porque é fácil ler o contrário: nada confirma que a suspensão tenha sido a causa do afastamento do país, nem que o tenha impedido de voltar. O registo disponível é que as duas coisas aconteceram e que, depois de 2012, não há novo espetáculo no país. Se houver, esta página é atualizada com a data.

Os brasileiros que chegaram lá

Cinco nomes aparecem ligados à empresa: Giant Silva, Arturo Ruas, Cezar Bononi, Taynara Conti e Valentina Feroz competiram pela WWE. As datas de estreia, os títulos e o percurso de cada um não são aqui enumerados porque a origem que usámos não os consolida, e esta página não inventa o que não consegue mostrar.

Registamos a lista como o que ela é: cinco brasileiros com passagem por uma empresa americana, num país onde a empresa fez um único espetáculo. O que não se depreende dela é a existência de uma estrutura de formação que alimente esses contratos. Houve contratações individuais, não um canal organizado entre o circuito brasileiro e os plantéis de Stamford; se surgirem contratos de desenvolvimento assinados com lutadores brasileiros, publicamos com data.

O wrestling feito no Brasil

Longe das empresas americanas, o país tem cena própria: a modalidade continua a ser praticada por promoções independentes, entre as quais a Brazilian Wrestling Federation.

Há também uma raiz que não é a mesma coisa e vale dizer por miúdo, porque a confusão é comum. A luta marajoara e o huka-huka são formas de combate corpo a corpo brasileiras, aparentadas do wrestling no sentido desportivo, sem espetáculo nem libreto. O que a WWE vende é luta profissional: resultado combinado, história encenada, atletismo real. São vizinhos, não a mesma disciplina.

O que a noite de 2012 deixou

Uma marca e um ponto final. O que está documentado, com data e sala, cabe em cinco linhas: a WWE fez um espetáculo no Brasil, a 24 de maio de 2012, no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo; o show do Rio foi cancelado antes de acontecer; a luta principal terminou com intervenção policial e com uma suspensão de trinta dias para o lutador envolvido; e a empresa não voltou ao país desde então.

Tudo o resto é terreno escorregadio. Fala-se muito de um mercado enorme e de digressões anunciadas que nunca se confirmaram; esta página não publica nem uma coisa nem outra enquanto não houver bilhete, cartaz ou comunicado datado. Se a empresa voltar, o texto é atualizado com a data da atualização.

Se tem bilhete, cartaz, recibo de imprensa ou reportagem datada de um evento da WWE em território brasileiro, escreva para o endereço no rodapé. Publicamos.

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