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A história do wrestling em Portugal: da televisão aos ringues

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Tarzan Taborda, as transmissões da WWF, a cena independente e os percursos de Killer Kelly e Shanna nos ringues internacionais.

A lutadora portuguesa Killer Kelly num evento de wrestling em 2019
Killer Kelly em 2019. A lutadora portuguesa é um dos nomes que levaram a sua carreira ao circuito internacional. Foto: Photos N Effect, CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons.
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Como o wrestling chegou à televisão portuguesa

A história do wrestling profissional em Portugal começa muito antes de qualquer evento no país. Começa numa voz. Nos anos noventa, as transmissões da então WWF na RTP eram narradas por António Macedo e por Albano Taborda Curto Esteves, mais conhecido por Tarzan Taborda.

Taborda nasceu a 27 de maio de 1935 em Aldeia do Bispo, Penamacor, no distrito de Castelo Branco, e morreu a 9 de setembro de 2005. Foi lutador de luta livre, cinco vezes campeão mundial e quatro vezes campeão europeu, com mais de quatro mil combates registados sem derrota, e competiu até 1981. Antes disso foi bailarino no Lido de Paris e duplo em Hollywood, tendo contracenado com nomes como Brigitte Bardot e John Wayne. É essa figura, mais narrador do que atleta em fim de carreira, que ligou o wrestling à televisão portuguesa no período em que os shows iam em direto.

Mais cedo ainda, o país teve presença nos ringues americanos: Carlos Rocha, lutador português que fez parte da WWWF e teve carreira internacional sobretudo no Canadá e nos Estados Unidos. Não há registo de um grande evento da empresa em solo português nessa época, e esta página não afirma o que não consegue datar.

O que diz a lei sobre a modalidade

Em Portugal a modalidade teve enquadramento associativo. A Associação Portuguesa de Wrestling (APW) foi criada em 1993 por Carlos Sequeira, Daniel Nunes, Rui Dutra, António Capela e Nuno Emídio, com sede em Portimão, no Algarve, e é descrita como uma das associações nacionais reconhecidas como federação desportiva da modalidade ao abrigo do Decreto-Lei n.º 144/93, de 26 de abril.

Dizemos isto com a ressalva devida: essa classificação como federação desportiva não a encontrámos confirmada em fonte oficial, e o estado atual da associação também não é claro. Registamos o dado como reportado, não como facto consumado. É a regra deste site em qualquer secção e em qualquer língua: o que não podemos mostrar com origem segura não é escrito como certeza.

A WWE em Lisboa e os eventos locais

A WWE já realizava espetáculos em Portugal antes do surgimento da WSW. Um relato da própria empresa, publicado a 5 de dezembro de 2006, descreve uma arena esgotada em Lisboa e refere duas apresentações de SmackDown na cidade, com Batista entre os lutadores destacados. Por isso, o evento da WSW em 2008 não deve ser apresentado como a chegada dos grandes espetáculos de wrestling ao país.

Quando o wrestling de marca americana chegou a Portugal em formato de espetáculo ao vivo, a data é concreta. A World Stars of Wrestling (WSW) foi anunciada oficialmente a 1 de agosto de 2008 e teve o seu evento de estreia, o WSW Inception, a 28 de setembro de 2008, no Pavilhão José Afonso, em Grândola.

O projeto tinha como objetivo realizar eventos da modalidade em vários países com um plantel formado por lutadores de origens diversas. O Inception é um marco da história da WSW, não o primeiro grande evento de wrestling realizado em Portugal.

A cena independente de hoje

O que existe atualmente em Portugal são promoções independentes, e aqui o nome com história própria é o Portugal Wrestlefest. É uma promoção sediada em Oeiras, fundada em 2022 por João Ribeiro, Luís Duarte e Nelson Pereira, considerada uma das principais organizações de wrestling independente no país, com aposta na produção de eventos, em narrativas trabalhadas e na transmissão gratuita de espetáculos completos no YouTube.

A publicação de espetáculos completos permite acompanhar o trabalho da promoção à distância. Para quem não consegue ir aos eventos, essas gravações dão uma forma de conhecer os lutadores e seguir as histórias, sem confundir um vídeo gravado com uma transmissão em direto.

Os nomes portugueses que saíram do país

Duas lutadoras ilustram o caminho. Raquel Lourenço, nascida a 21 de março de 1992 e conhecida pelo nome de ringue Killer Kelly, é mais conhecida pela sua passagem pela Total Nonstop Action Wrestling, onde foi duas vezes Knockouts Tag Team Champion com Masha Slamovich; competiu também na WWE, na marca NXT UK, e trabalhou sobretudo em Westside Xtreme Wrestling e Pro-Wrestling: EVE. Alexandra Barrulas, nascida a 8 de julho de 1982 e conhecida como Shanna, é uma lutadora portuguesa com trabalho na All Elite Wrestling (AEW), na German Wrestling Federation, na Women Superstars Uncensored e no circuito independente britânico, em promoções como Pro-Wrestling: EVE e Kamikaze Pro.

O padrão é o do wrestling europeu em geral: forma-se localmente, trabalha-se lá fora. Não há uma liga portuguesa que sirva de degrau único para as grandes empresas americanas; o percurso passa por Alemanha, Áustria, Reino Unido e pelos mesmos circuitos que aparecem nas fichas destas lutadoras.

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