Olá a todos. Esta semana não vamos ter uma preview ou review de um evento, dado que a UFC 104 apenas se realiza a 24 de Outubro, com o tal main event que coloca Lyoto “The Dragon” Machida a defender o seu título Light Heavyweight face ao contender #1 Maurício “Shogun” Rua.
Esta semana vamos falar do Hall of Fame da UFC. MMA, enquanto um único desporto, não possui um Hall of Fame que abranja todas as organizações do desporto sob um só tecto. Por outro lado, e apesar de ser um desporto ainda relativamente recente, o MMA tem um Hall of Fame exclusivo da UFC. É importante ressalvar que os lutadores que fazem parte deste HOF (perdoem-me mas não vou escrever “Hall of Fame” até ao fim deste artigo!) foram escolhidos para o mesmo em função dos seus combates, e do que conseguiram alcançar, apenas na UFC. Se um lutador teve um ou dois combates na UFC mas foi, porventura, campeão em PRIDE FC (um exemplo), ele não figura neste HOF. Pelo menos tem sido assim até ao momento.
Quem são então as lendas do desporto que fazem, até ao momento, parte do HOF da UFC? (refiro apenas os lutadores, dado que o HOF da UFC ainda conta com uma outra personalidade).

Ken Shamrock (desde a UFC 45) – outro pioneiro do desporto. Surgiu na UFC 1 já com alguma experiência em MMA, adquirida no Japão. Capaz de lutar em pé mas também com conhecimentos ao nível de grappling e submissões. Shamrock não venceu o torneio da UFC 1, mas iria ter grandes vitórias sobre lutadores como sejam Dan Severn e Kimo. Tornou-se suficientemente conhecido para ter um convite para se mudar para o pro-wrestling da WWE. Uns anos depois voltaria ao MMA, mas nunca voltou a ter o mesmo nível de sucesso que atingiu nos primeiros anos. Lutou em PRIDE FC, no Japão, antes de regressar à UFC; ainda teve 3 duelos com Tito Ortiz e uma vitória sobre o velho rival Kimo Leopoldo. Embora haja controvérsia acerca do período após o seu regresso ao desporto, é inegável o seu contributo inicial.
Royce Gracie (desde a UFC 45) – talvez a lenda das lendas. Quando a família Gracie (mais propriamente Rorion Gracie) decidiu criar a UFC, enquanto forma de provar a superioriade do seu estilo de combate (BJJ ou Gracie Jiu-Jitsu), Royce foi o escolhido para representar a família. De todos os lutadores participantes na UFC 1, Royce era certamente aquele que fisicamente menos se assemelhava à pré-noção que temos daquilo que é um lutador. Poucos sabiam o que era combate de chão, bem como a arte das submissões. Royce Gracie chocou quem assistiu à UFC 1 ao bater 3 adversários na mesma noite; a abordagem era sempre a mesma: conseguir levar o combate para o chão e trabalhar até conseguir uma submissão. Ganhou os torneios da UFC 1, 2 e 4. Teve vitórias inesquecíveis contra lutadores como sejam Dan Severn e Ken Shamrock. Revolucionou o paradigma das artes marciais para sempre.
Dan Severn (desde a UFC 52) – um wrestler de 110 kg, muito forte, que tem no bigode a sua imagem de marca. Conta com mais de 100 (não é engano) combates de MMA, os primeiros dos quais ocorreram na UFC. Estreou-se na UFC 4 ao destruir dois adversários na mesma noite antes de ser apanhado num triangle choke por parte de Royce Gracie, no terceiro combate. Mas regressaria com grande sucesso; venceu o torneio da UFC 5 (vencendo 3 adversários na mesma noite), o torneio Ultimate Ultimate 95 (novamente 3 adversários na mesma noite) e ainda conquistou o título “Superfight” ao bater Ken Shamrock. No penúltimo combate que realizou na UFC foi convidado a disputar um título novo que estava a ser introduzido, mais propriamente o título de campeão de pesos pesados (Heavyweight); acabou por ser rapidamente submetido por Mark Coleman, mas nem isso diminui a grande carreira que teve na UFC e no MMA em geral.

Randy Couture (desde o TUF season 3 Finale) – o “Natural” ou “Captain America”, cuja carreira MMA desafia qualquer tipo de lógica ou raciocínio formal. Estreou-se na UFC 13, já com uns respeitáveis 34 anos, mas tornou-se rapidamente conhecido ao bater o então “invencível” Vítor Belfort, o que lhe valeu uma luta para o título Heavyweight. Bateu Maurice Smith e sagrou-se campeão Heavyweight da UFC; o seu historial na UFC estava apenas ainda a começar. Com uns combates no Japão à mistura, bateu na UFC Kevin Randleman e duas vezes Pedro Rizzo. Perderia o seu título num combate com Josh Barnett, que acusou esteróides após o combate; perdeu novamente a chance de recapturar o título, ao ser batido por Ricco Rodriguez. Todos disseram: “Randy Couture está acabado”. Convidaram-no para lutar na categoria de peso abaixo, como Light Heavyweight, e contra a esmagadora maioria dos vaticínios, bateu Chuck Liddell e depois Tito Ortiz. Era campeão Light Heavyweight. Acabaria por perder esse título mais tarde contra o mesmo Liddell que havia originalmente vencido. Novamente: “está acabado”. Convidaram-no para uma última tentativa de captura de cinto, e novamente contra todas as previsões bateu Tim Sylvia para se sagrar campeão Heavyweight pela segunda vez. Impressionante e altamente improvável.
Mark Coleman (desde a UFC 82) – o “Hammer” é geralmente considerado o inventor do ground ‘n pound. Ou seja, do estilo de luta no qual um lutador leva o seu adversário para o chão e castiga-o com golpes, estando por cima. Coleman estreou-se na UFC 10; ganhou esse torneio e também o da UFC 11. Na UFC 12 sagrou-se como o primeiro campeão Heavyweight da história da UFC, ao bater o já mencionado Dan Severn. Não conseguiu defender o título com sucesso e acabou por rumar para o Japão, PRIDE FC, onde venceu o primeiro torneio dessa organização (PRIDE Grand Prix 2000). Por ser o primeiro campeão Heavyweight da história da UFC, pela vitória em 2 torneios consecutivos (para além do torneio em PRIDE) e também pela “invenção” da referida técnica, o seu lugar no historial do desporto está assegurado.
Chuck Liddell (desde a UFC 100) – o “Iceman” é, porventura, o primeiro lutador da UFC que se tornou realmente conhecido por um público mais alargado. E tudo porque teve o seu auge na altura certa, e também pelo seu aspecto e estilo de luta. Um striker letal, com grandes capacidades de KO e com um sprawl (defesa de queda) lendário, com um mohawk que impõe respeito e uma celebração de vitória muito própria, o Iceman subiu na UFC a pulso, após a sua estreia na UFC 17. Bateu adversários de respeito (Belfort, Babalu, Tito Ortiz, etc) até finalmente capturar o título Light Heavyweight na UFC 52; Liddell e Couture, o então campeão LHW, tinham sido treinadores na 1ª season do Ultimate Fighter. Findada essa season lutaram para o título, com o Iceman a bater o “Natural”. A sua popularidade tornou-se imensa, na sequência do sucesso que foi o tal reality show (TUF season 1), e defendeu o seu título quatro vezes com sucesso. Ainda foi a tempo de bater Wanderlei Silva, num combate que surgiu tarde, mas não demasiado tarde.
Até para a semana!





Mais uma grande dose de MMA, parabéns.
Eu acompanho um pouco a UFC e quando vi o Couture vs. Nogueira, o Randy Couture teve um grande pop, quase como um Jeff Hardy na WWE [à uns tempos atrás quando ganhou o título Mundial]. Uma vez observei um UFC Undisputed na Sic Radical e vi um combate do Chuck Liddell contra um outro lutador e desde aí seleccionei o Chuck como meu lutador de MMA preferido. Já agora, uma pergunta: o Chuck ainda luta ou já se retirou?
Mais uma vez, parabéns e continua com esta óptima crónica.
Cumprimentos!
O Randy Couture é muito querido por parte dos fãs Norte-americanos (também fora dos EUA; mas nos EUA ele é, de facto, um “rei” no desporto).
Em relação ao “Iceman” (Chuck Liddell) a situação é a seguinte:
- Ele não está oficialmente retirado, pelo que pode ainda voltar a lutar (pessoalmente acho que vai lutar pelo menos mais uma vez na UFC, é o meu pressentimento)
- Vai fazer 40 anos este ano, pelo que a reforma encontra-se à vista. Ainda mais se considerarmos que está com 4 derrotas nos seus últimos 5 combates
- Como gostas do Liddell e do seu estilo de luta aconselho-te a veres combates dele mais antigos. Nomeadamente os combates dele contra o Babalu (foram 2), contra o Tito Ortiz (foram 2), contra o Vítor Belfort, Vernon White, Randy Couture (foram 3), Jeremy Horn (foram 2), Guy Mezger, etc. Ou seja, os combates do auge da carreira dele.
Esqueci-me de dizer: obrigado pelo comentário e um abraço.
Muito bom trabalho, talvez falte aí o Tito Ortiz que marcou uma geração, mas mesmo assim tá muito bom, parabéns.
Bem, mas eu não podia colocar ali o Tito, dado que ele (ainda) não está no Hall of Fame :)
Abraço.
Muito bom artigo, ideal para quem quiser ficar a saber mais sobre os grandes nomes da UFC!
Muito bom artigo!
Mas acho que seria melhor e mais completo se fizesses um Hall of Fame de todas as promoçoes de vale tudo , porque senao os melhores lutadores de vale tudo alguns sem apariçoes na UFC ficam de fora o que e uma pena para quem começou a pouco a ver vale tudo mais propriamente UFC. Desses lutadores falo de Bas Rutten , Fedor emilianenko , Mirko Cro-cop , Victor Belfort , Wanderlei silva ; Minotauro e etc…
Mas o artigo esta na mesma muito bom parabens! ;)
Hulk, repara numa coisa: neste artigo eu falei sobre o Hall of Fame real da UFC, tal como existe neste momento.
Para falar de um Hall of Fame total de MMA, para escolher os lutadores que constariam no mesmo, eu teria que estar a dar a minha opinião pessoal.
Abraço.
Muitos parabens por nos dares a conheçer algumas das lendas da UFC ;)
Sou brasileiro e gostei do Royce Gracie no Hall of Fame, o Randy Couture tambem é muito bom lutador(Ainda bem que o minotauro ganhou dele), acho que o Fedor(Melhor lutador de todos os tempos) deveria estar no Hall da fama.
tá faltando o minotauro!
Muito bem ;D