Continuamos a nossa caminhada pelos títulos da WWE. Hoje chegamos a um dos mais conhecidos e reputados da empresa norte-americana. Curiosamente, este título comemora em 2009 os seus 30 anos de existência. É isso mesmo, vamos analisar o Intercontinental Championship.

Corria o mês de Setembro de 1979 quando Pat Patterson, não por obra e graça do Espírito Santo mas quase, recebeu o primeiro Intercontinental Title alguma vez atribuído. Não teve uma estreia propriamente bombástica e a verdade é que esse reinado durou até ao ano seguinte, mais propriamente em Abril de 1980. A partir daí sim, o título começou a ser exposto ao ‘mediatismo’ e a ganhar a reputação que hoje todos lhe conhecemos. Muitas das melhores superstars de então coleccionaram este título no seu palmarés, como foram os casos de Pedro Morales, Tito Santana ou Randy Savage, entre outros. The Ultimate Warrior viraria a década de 80 para 90 com o título nas mãos e um longo reinado de cerca de 8 meses.
Nos anos 90 este título viria a ganhar a fama que, para mim, continua a ter juntamente com o United States Championship.
Segundo os ‘padrões’ que a WWE costuma ter ao longo dos anos, qualquer lutador que se preze e tenha uma ascensão ‘normal’ na carreira começa por ganhar um destes dois títulos e depois sim, merece o desiderato dos títulos mundiais. É uma evolução normal, lógica e que me parece correcta, embora seja sempre emocionante e, sobretudo, factor de surpresa, vermos um completo desconhecido (mas com talento) a ganhar de imediato um título mundial. Isso cria impacto, cria fama mais rapidamente… e dá audiências.
Durante a última década do século XX houve bons momentos e acumularam-se os emocionantes combates pelo título. Em 1992, na Wrestlemania, Roddy Piper defendeu-o contra Bret Hart num combate inesquecível, onde o canadiano venceria de forma pouco ‘ortodoxa’ (revejam que vale a pena).
Em 1993 tivemos mais um dos míticos combates entre Razor Ramon e Shawn Michaels e ao longo do ano de 1995 vimos Jeff Jarrett (esse mesmo) a conquistar o Intercontinental Title por três vezes. Primeiro ‘roubou-o’ a Razor Ramon, depois conquistou-o novamente após o mesmo lhe ter sido retirado e, finalmente, ganhou-o num combate diante de, novamente, Razor Ramon.
O final da década, do século e do milénio ficaria marcado pelas conquistas do falecido Owen Hart e, sobretudo, pela feud Steve Austin – The Rock, que também invadiu os territórios do Intercontinental Championship. Em 1997 culminou com um combate na Raw onde The Rock tirou o título a Austin.
Acabaria por perdê-lo apenas oito meses depois para outra estrela… Triple H.
O ano de 1999 foi pródigo em mudanças. Talvez afectado pelo bug que tanto se falou na viragem do milénio, Vince McMahon talvez pensasse que algo de extraordinário e preferiu dar tudo o que havia a dar aos fãs. É que neste ano, o título mudou de dono por 11 vezes, ainda assim inferior às 12 de 2000. Aliás, permitam-me fazer um parêntesis nesta rubrica pois com a análise de tantos títulos já pude constatar que no período 1999-2002, a grande maioria dos títulos mudou de mãos como nunca. Se hoje criticamos ver um título mundial mudar de mãos com frequência então vejam o que acontecia nesta altura.
Retomando a história, em Outubro de 2002 o Intercontinental foi retirado após ser unificado com o existente World Heavyweight Championship por Triple H, mas voltou em Maio de 2003 para ser conquistado pelo ‘Captain Charisma’, Christian.
Até aos dias de hoje houve, obviamente, muitos desenvolvimentos e a confirmação de algumas estatísticas que iremos ver em seguida.
Mais títulos conquistados
Todos sabemos bem quem é o detentor deste título. Aliás, ele faz questão de não nos deixar esquecê-lo. “I am the best in the world at what I do” diz-vos alguma coisa? É óbvio, Chris Jericho é o recordista de mais títulos conquistados com a impressionante marca de 9 vitórias. Registou esse número em Junho, ao ganhar o título de Rey Mysterio mas já o voltou a perder para o mexicano (a quem está bem empregue). No entanto, estando Jericho e o título na mesma brand, é sempre de esperar que, a qualquer altura, Jericho volte a bater o seu próprio recorde. Curiosamente, esta caminhada começou contra uma diva, Chyna (ok, uma semi-diva), seguiram-se Chris Benoit (x2), Rob Van Dam (x2), Edge, Jeff Hardy e, agora, Mysterio.
Reinado mais longo
Santino Marella bem lhe quis roubar esta distinção mas as suas capacidades atléticas não acompanharam a sua interminável capacidade de falar. A esta altura já se devem recordar que The Honky Tonk Man é quem detém o recorde de reinado mais longo na história do Intercontinental Title. 454 dias foi quanto ele aguentou o título entre Junho de 1987 e Agosto de 1988 e, de resto, foi mesmo a única vez que o conseguiu fazer pois só o conquistou uma vez em toda a sua carreira.
Uma vitória frente a Jack “The Snake” Roberts na Wrestlemania 3 deu-lhe a oportunidade de lutar pelo título que, na altura, pertencia a Ricky Steamboat. Ganhou-o e instalou este recorde, talvez um dos maiores feitos na sua passagem pela WWE.
Reinado mais curto
Triple H. Na intensa feud entre Triple H e Kane, foi estipulado um combate de unificação no No Mercy de 2002. Kane colocou em jogo o seu Intercontinental Title enquanto Triple H pôs em jogo o World Heavyweight Title que detinha. Hunter ganhou e unificou os títulos. Nas contas da WWE o reinado como Intercontinental ainda conta, apesar de não durar nada já que, pela estipulação do combate, se Triple H ganhasse o Intercontinental desaparecia. Digamos que dificilmente este recorde será batido por alguém no futuro, pois nem sequer duração tem.
Campeão actual
Orgulhosamente o nosso “little hero” como Jericho o chamou recentemente, Mysterio é o actual Intercontinental Champion. Rey ganhou o título por duas vezes, ambas neste ano de 2009. Colocou o seu nome na história deste campeonato na última Wrestlemania, num combate sem história que marcou a despedida do anterior campeão, John Bradshaw Layfield (JBL). Segurou até ao Extreme Rules onde Y2J o tirou. Durou pouco esse reinado e o mexicano recuperou o seu Intercontinental no The Bash.
Mysterio é daqueles lutadores que qualquer título lhe assenta bem mas, para mim, ainda não o vi capaz de manter uma feud à altura de um título mundial. Tivemos essa experiência quando lutou contra Edge e até acho que já era altura de o voltarmos a ver competir noutros ‘palcos’ mas sinto que, à semelhança de Jeff Hardy, dicilmente terá aquele estatuto especial que todos nós vemos em estrelas como Edge, Triple H, Shawn Michaels, etc. Sim, o estatuto constrói-se, e a WWE tem um papel fundamental nisso, mas cada caso é um caso e vejo Mysterio claramente mais identificado com o Intercontinental Championship do que, por exemplo, o WHC.
Curiosidades
- Se Honky Tonk Man teve o reinado mais longo da história do título, e da década de 80, já Mr.Perfect foi rei nos anos 90 e Shelton dominou no século XXI;
- O combate mais curto da história do Intercontinental Championship foi, precisamente, o da Wrestlemania XXV. Aqueles 25 segundos de vergonha para JBL vão mesmo ficar na história;
- Rey Mysterio contrariou um pouco a ‘tradição’ e venceu primeiro o World Heavyweight Championship e, só depois, o Intercontinental;
- A única diva a ganhar este título foi Chyna e fê-lo por inacreditáveis 3 vezes, derrotando Jericho, Jeff Jarrett e Val Venis;
- Jericho tem o recorde com 9 títulos conquistados mas Jeff Jarrett e Rob Van Dam também conseguiram bons registos, tendo cada um 6 conquistas. Seguem-se Triple H e Edge com cinco e Jeff Hardy, Chris Benoit e Razor Ramon com quatro cada.
- Na categoria das idades, Ric Flair continua a marcar pontos ao ser o mais velho campeão com 56 anos enquanto Jeff Hardy foi o mais novo ao detê-lo com 23 anos;
- No que toca a pesos, Rikishi entrou para a estatística ao ser o mais pesado (180 kg) e Chyna foi a mais leve com 70 quilos.
Video
Vamos agora ao habitual vídeo. Estávamos em 2002, numa Raw, e Eddie Guerrero teria de defender o seu título contra Rob Van Dam num ladder match. Pelo meio tivemos a invasão de um fã no ringue e a aparição de Chris Benoit.
Está concluída a análise de mais um título e já só falta um para terminarmos esta pequena maratona. Adivinhem lá qual falta?!
Portem-se bem e curtam o Verão! ;)






Gostei de ler estes GOLD IN HISTORY são sempre muito bons parabéns Vistaker, Continua
um tos titulos com mais history
Mais um excelente artigo Vistaker!
ótima análise, expressa a história do título com poucas palavras, resumão bem a meu gosto.
TAÇ